Sistema em prática · Operações
Como representar aquilo que um projeto ainda não sabe
Uma lista de tarefas regista o que foi acordado e perde o que continua em aberto, que costuma ser o que decide o projeto.
As ferramentas de projeto representam bem o trabalho comprometido e mal a incerteza. Uma tarefa existe quando alguém já sabe o que há a fazer. Aquilo que ainda não se sabe vive em atas, em fios de mensagens e na memória de três pessoas.
Estamos a testar uma representação em que a pergunta aberta é um objeto de primeira classe, tal como uma tarefa. Tem responsável, evidência associada, data de revisão e um estado que não é «pendente» mas «aberta», «delimitada» ou «resolvida». Quando se resolve, não desaparece: fica ligada à decisão que produziu.
A hipótese é que isto muda duas conversas. A primeira, a do planeamento: uma dependência sobre uma pergunta aberta é um risco visível, ao passo que uma dependência sobre uma tarefa não estimada é apenas uma data otimista. A segunda, a da continuidade: quem entra no projeto seis meses depois pode ler porque é que algo foi decidido e o que se desconhecia nessa altura.
É uma hipótese, não um resultado. Testámo-la em projetos reconstruídos e num protótipo interno. O obstáculo real não é técnico: depende de as pessoas registarem perguntas, e esse hábito só aparece se o sistema o tornar muito barato.