‹ Cultura 3.14 · O que nos perguntamos
Pergunta · Operações
Como aprende um sistema com uma exceção resolvida sem a generalizar demasiado?
Uma exceção contém conhecimento operativo valioso, mas pode depender de um contexto que desaparece quando se transforma cedo demais em regra.
Porque importa
As exceções mostram o processo com uma precisão que o percurso habitual raramente oferece. Revelam informação ausente, regras implícitas, dependências, conflitos de autoridade e formas reais de recuperar o trabalho.
Por isso cada exceção resolvida parece uma oportunidade para o sistema aprender. O perigo aparece quando uma decisão válida para um caso se transforma em regra geral sem conservar as condições que a tornaram razoável.
Uma exceção pode ser um precedente, mas também uma concessão única, uma resposta a informação incompleta, um remendo, um erro tolerado ou um sinal de que a regra principal precisa de mudar.
O que sabemos até agora
Para aprender com uma exceção convém conservar pelo menos:
- o que a ativou;
- o contexto e o âmbito;
- que informação faltava ou se contradisse;
- quem interveio e com que autoridade;
- que alternativas foram consideradas;
- que decisão foi tomada e porquê;
- que ação foi executada;
- que resultado foi observado;
- se a resolução deve caducar ou ser revista.
Depois pode ser classificada como:
- caso isolado que deve ser recordado, mas não generalizado;
- precedente consultável;
- nova exceção explícita dentro de uma regra;
- candidata a regra depois de mais evidência;
- defeito de processo ou de interface;
- contradição que exige decisão organizacional.
Antes de incorporar uma nova regra, é útil procurar contraexemplos, testá-la sobre casos históricos e executá-la em modo de recomendação ou de sombra. A recorrência ajuda, mas não substitui uma explicação de porque a generalização é válida.
O que continua em aberto
Não existe um limiar universal de casos a partir do qual uma exceção deva transformar-se em regra. Uma situação rara e de alto impacto pode merecer um percurso explícito desde o primeiro caso; outra muito frequente pode continuar a depender de um matiz difícil de representar.
Continua em aberto como distinguir automaticamente uma prática local de uma política geral, como decidir que parte de uma explicação humana é causal e que parte é retrospetiva, e como evitar que o sistema aprenda os enviesamentos de quem historicamente teve autoridade para resolver.
Fica também por resolver quando é que uma acumulação de exceções deve melhorar a automação e quando demonstra que o processo, a política ou até o objetivo precisam de ser redesenhados.